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Exposição “Habitar Portugal”: 50 Anos de Arquitectura Portuguesa em Análise no MAC/CCB

Entre a memória e a ruptura, entre o gesto político e a inovação tecnológica, a exposição Habitar Portugal revisita 50 anos de arquitectura portuguesa com um olhar crítico e actual. Patente no MAC/CCB, a mostra reúne 100 obras que ajudam a compreender como o país se construiu, e se projectou no mundo, desde 1974. 

 

Habitar Portugal regressa a Lisboa com uma edição que revisita cinco décadas de arquitectura portuguesa, reunindo 100 obras marcantes construídas entre 1974 e 2024. A exposição estará patente até 26 de Abril de 2026, no Centro de Arquitectura do MAC/CCB – Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém.

Organizada pela Ordem dos Arquitectos, em parceria com o MAC/CCB, esta iniciativa propõe uma leitura crítica sobre o modo como a arquitectura moldou o território nacional (e como projectou Portugal além-fronteiras) num período particularmente transformador da história contemporânea.

 

 

Habitar Portugal: uma reflexão sobre arquitectura contemporânea

Mais do que uma exposição retrospectiva, Habitar Portugal apresenta-se como um espaço de pensamento e debate. A selecção, assumidamente representativa e não exaustiva, organiza-se em três eixos curatoriais que estruturam a narrativa:

  • Arquitectura como Gesto Político
  • A Persistência da Memória
  • Rupturas e Novas Configurações

A curadoria de Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão propõe uma análise que ultrapassa o objecto arquitectónico enquanto forma construída, convocando o seu impacto social, cultural e político.

 

©Fábio Cunha MAC_CCB

 

 Arquitectura como gesto político

Desde o pós-25 de Abril, a arquitectura portuguesa assumiu um papel activo na redefinição do espaço público e no acesso à habitação. Projectos como o Bairro 11 de Março, em Olhão, ou o Conjunto Habitacional Pantera Cor de Rosa, em Lisboa, ilustram a resposta a desafios sociais urgentes, nomeadamente a democratização da habitação.

Ao mesmo tempo, edifícios institucionais e infra-estruturas reforçaram a afirmação simbólica do país. A Câmara Municipal de Matosinhos ou a Assembleia Regional dos Açores evidenciam como o espaço construído reflecte identidade e representação pública.

Este eixo demonstra que a arquitectura não é neutra: participa na transformação social, medeia tensões entre tradição e modernidade e projecta uma imagem nacional dentro e fora de portas.

 

©Fábio Cunha MAC_CCB

 

A persistência da memória

Num contexto global marcado pela rapidez e pela obsolescência, a reabilitação e a preservação assumem centralidade. Projectos como a Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães, ou a requalificação do Mercado do Bolhão, no Porto, ilustram a capacidade de reinterpretar patrimónios materiais e imateriais sem comprometer autenticidade.

Intervir no existente revela-se, assim, um exercício de continuidade e reinvenção. A arquitectura torna-se mediadora entre passado e futuro, devolvendo significado a edifícios e lugares esquecidos.

 

©Fábio Cunha MAC_CCB

 

Rupturas e novas configurações

O terceiro eixo destaca obras que introduzem novas linguagens formais, tecnologias e programas arquitectónicos. Exemplos como o Complexo das Amoreiras ou o Museu do Côa evidenciam momentos de ruptura que redefiniram paisagens urbanas e culturais.

Projectos mais recentes demonstram ainda uma integração crescente de sustentabilidade, inovação tecnológica e novos modelos de sociabilidade, reflectindo os desafios contemporâneos da disciplina.

Aqui, a arquitectura portuguesa surge em diálogo directo com a globalização, afirmando-se internacionalmente sem perder identidade.

 

©Fábio Cunha MAC_CCB

 

Programação paralela e visitas guiadas

A exposição integra um programa público que inclui conversas com os curadores, agendadas para 14 de Fevereiro e 11 de Abril, bem como visitas guiadas no dia 15 de Março, mediante inscrição prévia. A participação é gratuita, sujeita à lotação do espaço.

 

Informação prática

Exposição: Habitar Portugal

Datas: 12 de Fevereiro a 26 de Abril de 2026

Local: Centro de Arquitectura do MAC/CCB, Lisboa

Organização: Ordem dos Arquitectos

Entrada: Consultar condições e inscrições no site oficial do MAC/CCB

 

©Fábio Cunha MAC_CCB

 

Porque visitar “Habitar Portugal”?

Para profissionais, estudantes ou público interessado em arquitectura contemporânea portuguesa, esta exposição constitui uma oportunidade rara de observar, num único percurso expositivo, 50 anos de práticas, discursos e transformações territoriais.

Num momento em que as cidades enfrentam desafios complexos – habitação, sustentabilidade, identidade cultural – revisitar o que foi feito permite questionar o que está por fazer.

E talvez seja esse o maior mérito de Habitar Portugal: não oferecer respostas fechadas, mas abrir espaço para reflexão sobre como queremos, afinal, habitar o futuro.