Há marcas que provam o que são ao quebrar recordes; a Bvlgari provou o que é durante uma década fazendo exatamente isso, e chegou à Watches & Wonders 2026 com a confiança de quem já não precisa de se provar. O Octo Finissimo acumulou dez recordes mundiais de espessura entre 2014 e 2025. Em 2026, a Maison romana escolheu um caminho diferente: aprofundar, não superar.
Octo Finissimo 37


A novidade central da coleção é um relógio de 37 mm, três milímetros menos do que o modelo que definiu a família. Não é uma versão reduzida do Octo Finissimo 40: é uma plataforma completamente nova, desenvolvida em paralelo ao longo de três anos, com um movimento de manufatura igualmente novo, o calibre BVF 100, de apenas 2,35 mm de espessura e 31 mm de diâmetro. Apesar da redução de volume de cerca de 20%, a reserva de marcha sobe para 72 horas, mais do que os 60 horas do modelo de 40 mm. O micro-rotor em platina, detalhe de continuidade com a narrativa Finissimo, aciona um barril de alta energia que assegura essa autonomia dentro de uma geometria extraordinariamente compacta. O peso total do relógio montado é de apenas 65 gramas.
A gama de lançamento divide-se em quatro versões. O titânio jateado com mostrador opalino e ponteiros negros é a referência de base, o elo de continuidade com as origens da coleção. O titânio satinado e polido, com acabamento feito inteiramente à mão, apresenta uma qualidade de luz diferente, mais próxima do aço mas com a leveza característica do titânio. O ouro amarelo de 18 quilates, com mostrador e ponteiros a condizer, reafirma a vocação joalheira da Maison e responde à procura de quem viu sempre no Finissimo um objeto simultaneamente relojoeiro e precioso. A quarta versão é o Octo Finissimo 37 Minute Repeater em titânio jateado, de 6,85 mm de espessura, equipado com o calibre manual BVL 362 de dois martelos e 42 horas de reserva de marcha. Não reclama nenhum recorde. Não precisa: a complicação fala por si, e a acústica do titânio, escolhido também pelas suas propriedades sonoras, faz com que o mecanismo se ouça mesmo num ambiente ruidoso.
Octo Finissimo Ultra Tourbillon Platina


Para quem ainda quiser recordes, a Bvlgari tem a resposta: o Octo Finissimo Ultra Tourbillon em platina, limitado a dez exemplares, com 1,85 mm de espessura total e caixa de 40 mm. A transição do titânio para a platina, metal de densidade excecional e associado à alta joalharia desde o século XVIII, impõe desafios técnicos próprios: a ductilidade do material exige ferramentas e perícia dedicadas para ser conformado nestas dimensões extremas. O calibre de corda manual BVF 900 com tourbillon volante, 4 Hz e 42 horas de reserva de marcha, recebe um tratamento galvânico original na platina principal e uma roda de trinquete em aço com decoração geométrica gravada. O azul do PVD nos contadores esqueletizados cria o único ponto de cor num conjunto de brilho monolítico e nobre.
Serpenti Tubogas Studs Capsule


A Bvlgari regressa também ao diálogo entre ouro e aço que marcou a sua identidade criativa nos anos setenta. A cápsula Serpenti Tubogas Studs introduz o "clou" piramidal, elemento retirado dos arquivos de joalharia da Maison, na bracelete Tubogas, pontuando as espirais sensuais do metal com uma geometria angular que transforma o conjunto numa escultura que envolve o pulso. As quatro edições limitadas exploram combinações de ouro amarelo, ouro rosa e aço com mostradores em cornalina, sodalite, malaquite e madrepérola, cada qual com a sua personalidade cromática e mineral. Um movimento de quartzo assegura a precisão no interior de uma caixa de 35 mm, e cada versão inclui uma coroa cravejada com rubelite cortada em cabochão.
Serpenti Aeterna


A metamorfose da serpente continua com o Serpenti Aeterna, agora em duas versões. A peça de alta joalharia em ouro rosa está inteiramente pavimentada com 122 pedras de cor raras, entre rubelites, ametistas, esmeraldas e turmalinas Paraíba, orquestradas em 225 horas de desenvolvimento e mais de 60 horas de cravação. Diamantes brancos percorrem o contorno da serpente, capturando a energia cromática do conjunto. A segunda versão, em ouro amarelo com mostrador em madrepérola branca e apenas alguns acentos de diamantes, propõe uma leitura mais quotidiana da mesma silhueta, uma joia de uso diário que não abdica de ser extraordinária.
B.zero1 e Tubogas — Ouro e Aço como Manifesto


A Watches & Wonders 2026 marca também a primeira vez que a Bvlgari traz joalharia pura ao salão de Genebra, através de duas novas interpretações do anel B.zero1 e de uma parure Tubogas. O B.zero1, com a sua espiral geométrica de inspiração arquitetónica romana, é reinterpretado em aço com detalhes em ouro amarelo, disponível nos formatos de duas e quatro bandas. A leveza e o movimento do aço reforçam o sentido cinético da peça, enquanto o contraste com o ouro sublinha a dualidade de materiais que a Maison transformou em linguagem estética desde os anos setenta. A parure Tubogas, composta por colar e bracelete, retoma o mesmo vocabulário numa escala mais sensual: o aço flexível, técnica de precisão que consiste no enrolamento meticuloso de finas bandas de metal, encontra os tachos em ouro numa composição que é simultaneamente industrial e joyau. Presentes na herança criativa da Bvlgari desde que a Maison ousou colocar estes dois materiais em diálogo pela primeira vez, ouro e aço continuam a ser, mais de meio século depois, uma das suas proposições mais originais.
O que une todas estas criações é a mesma convicção que preside à identidade da Bvlgari desde a sua fundação em Roma em 1884: que a geometria é uma linguagem universal, que os materiais têm uma voz própria, e que a elegância mais sofisticada é aquela que parece não fazer esforço nenhum.