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VAN CLEEF & ARPELS: UM JARDIM EM TRANSFORMAÇÃO

VAN CLEEF & ARPELS: UM JARDIM EM TRANSFORMAÇÃO

ESTAÇÃO DE RENOVAÇÃO E DE PROMESSAS, A PRIMAVERA É TAMBÉM UM LUGAR PRIVILEGIADO NO UNIVERSO CRIATIVO DA VAN CLEEF & ARPELS. UM INSTANTE DE EVELAÇÃO, EM QUE A NATUREZA DESPERTA EM SILÊNCIO E O MUNDO PARECE SUSPENSO ENTRE O QUE RENASCE E O QUE AINDA ESTÁ POR FLORESCER. É NESTE TERRITÓRIO DE SENSAÇÕES SUBTIS QUE NASCE UMA COLECÇÃO QUE TRANSFORMA FLORA E FAUNA NUM POEMA ONDE JOALHARIA E RELOJOARIA COEXISTEM COMO FORMAS COMPLEMENTARES DE NARRAR O TEMPO.

 

Criada em 2021, a colecção constrói-se a partir de um jardim imaginário habitado por joaninhas, flores de ameixeira, lírios-do-vale e folhagens recortadas em ouro amarelo. Em 2026, esse universo expande-se com uma nova presença: a borboleta. Presente nos arquivos da Maison desde 1906, a borboleta regressa como metáfora de metamorfose e reorganiza toda a composição.

 

 

As novas criações em joalharia exploram o ouro amarelo como matéria de luz, trabalhado com o emblemático contorno em contas duplas que define a identidade da Maison. A este elemento juntam-se ágata azul e verde, lápis-lazúli e madrepérola branca, pedras escolhidas pela sua profundidade cromática e pela forma como captam variações subtis de luz.

 

 

A colecção desdobra-se em cinco peças essenciais: colar longo, pulseira de cinco motivos, pregadeira, anel Between the FingerTM e brincos. Em todas, a borboleta surge como presença em trânsito. Ora pousada, ora em voo, ora apenas sugerida. No colar longo, repete-se como um gesto rítmico que percorre a corrente, quase como uma respiração visual. Na pulseira, alterna com flores e folhas, num equilíbrio orgânico entre simetria e espontaneidade. Já, o anel Between the FingerTM torna-se uma pequena narrativa tridimensional. De um lado, uma flor de ameixeira em madrepérola branca, do outro, um botão de lírio-do-vale. Entre ambos, uma borboleta suspensa parece hesitar entre dois instantes. O jogo entre volumes e materiais estende-se à pregadeira e a delicadeza da flor que desabrocha no inverno surge nos brincos que emolduram o rosto.

 

 

Esta linguagem ganha tempo e pulsação no Lady Lucky Spring Butterfly, integrado na colecção Poetic Complications. Sobre um mostrador em madrepérola guilloché azul profundo, flores de ameixeira emergem em relevo, numa harmonia ímpar entre profundidade e luz. No centro, uma borboleta percorre o mostrador ao ritmo dos minutos, aproximando-se do seu duplo num ballet mecânico de precisão invisível. O movimento de corda automática com indicação retrógrada dos minutos e horas saltantes transforma o tempo em encenação: a borboleta avança, regressa, recomeça. Cada ciclo é um regresso ao início, mas nunca ao mesmo lugar. No verso, o savoir-faire dos métiers d’art prolonga a narrativa com esmalte, gravações florais e uma massa oscilante decorada com uma borboleta pintada à mão. Como se o invisível também pudesse florescer