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A TRADIÇÃO E O PATRIMÓNIO HISTÓRICO COMO FONTES DE IDENTIDADE CRIATIVA

A TRADIÇÃO E O PATRIMÓNIO HISTÓRICO COMO FONTES DE IDENTIDADE CRIATIVA

No mundo da alta relojoaria, a criatividade e a inovação andam, frequentemente, associadas à história e à tradição. Este é um factor distintivo entre as diversas marcas, uma vez que há consideráveis diferenças quanto à herança que cada uma transporta.

2025 foi disso um bom exemplo, porque fértil em aniversários especiais. Duas respeitáveis manufacturas, a Vacheron Constantin e a Breguet, comemoraram, respectivamente, os seus 270.º e 250.º aniversários. Detentoras de um invejável património histórico, assinalaram a efeméride com edições evocativas inspiradas em criações do passado.

A Vacheron Constantin dispõe da linha “Historiques”, dedicada a replicar peças antigas, recriando-as com movimentos actualizados, mas respeitando a estética das originais. É o caso do 222, cujo modelo em aço foi lançado em 2025 e é praticamente inacessível, ou do American 1921. No caso da Breguet, a opção foi a de produzir peças comemorativas em cada uma das suas linhas, destacando-se o Classique Souscription e o Type XX (inspirado no n.º 1780, de 1955), ambos fidelíssimos aos originais, para aplauso dos puristas da marca, nos quais me incluo.

Ainda sem linhagem bicentenária, a Panerai lançou em 2025 o Marina Militare 5218, que replica o celebrado non-matching dial da era Pre-Vêndome. É um modelo de retorno à tradição histórica da marca, tendência que se saúda e que teve continuidade em 2026, com os novos Luminor.

Numa altura em que emergem novas ofertas, algumas já dotadas de assinalável classicismo e respeitabilidade, o enaltecimento da tradição e o respeito pelo legado histórico, privilégio de poucas marcas, é certamente um factor diferenciador a ponderar.